sexta-feira, 29 de julho de 2011

Voo 447

RIO - Alain Bouillard, chefe das investigações do acidente com o voo 447 da Air France, diz que não consegue entender por que os pilotos não identificaram ou não reagiram ao alarme de estol (que indica perda de sustentação da aeronave).

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Não se pode dizer que a culpa é dos pilotos?

BOUILLARD: Não. Eu tento entender a ação dos pilotos e como eles reagiram. Por que não identificaram o alarme de estol ou não reagiram. Hoje estamos muito longe de ter as causas do acidente.

Quando soou o alarme de estol, eles deveriam saber o procedimento e evitar o acidente?

BOUILLARD: Trata-se de um alarme que indica que o avião vai sair do seu domínio de voo, isto é, vai perder a sustentação. Um piloto entende isso. Agora, por que eles não reagiram? Este é todo o problema que temos hoje.

É a primeira vez nas investigações que o senhor viu que pilotos não compreendem ou não reagem a um alarme de estol?

BOUILLARD: Tenho dois exemplos. No acidente do Concorde, a tripulação não entendeu que havia um buraco na asa e que tinha fogo. E no acidente da Air Moorea (em 2007, na ilha da Polinésia francesa), quando houve a ruptura de um cabo de profundidade em baixa altitude, o piloto também não identificou o problema. Estamos tentando compreender, com a ajuda de especialistas em fatores humanos, o que é preciso colocar ainda mais no cockpit para ajudar os pilotos neste momento.

As falhas nas sondas pitot não foram determinantes?

BOUILLARD: Foram uma das causas. Mas há outras.

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