RIO - Alain Bouillard, chefe das investigações do acidente com o voo 447 da Air France, diz que não consegue entender por que os pilotos não identificaram ou não reagiram ao alarme de estol (que indica perda de sustentação da aeronave).
VOO 447: Especialistas criticam relatório do BEA e destacam falhas nos treinamentos dos pilotos
INFOGRÁFICO: Entenda como aconteceu o acidente e as considerações do BEA
Não se pode dizer que a culpa é dos pilotos?
BOUILLARD: Não. Eu tento entender a ação dos pilotos e como eles reagiram. Por que não identificaram o alarme de estol ou não reagiram. Hoje estamos muito longe de ter as causas do acidente.
Quando soou o alarme de estol, eles deveriam saber o procedimento e evitar o acidente?
BOUILLARD: Trata-se de um alarme que indica que o avião vai sair do seu domínio de voo, isto é, vai perder a sustentação. Um piloto entende isso. Agora, por que eles não reagiram? Este é todo o problema que temos hoje.
É a primeira vez nas investigações que o senhor viu que pilotos não compreendem ou não reagem a um alarme de estol?
BOUILLARD: Tenho dois exemplos. No acidente do Concorde, a tripulação não entendeu que havia um buraco na asa e que tinha fogo. E no acidente da Air Moorea (em 2007, na ilha da Polinésia francesa), quando houve a ruptura de um cabo de profundidade em baixa altitude, o piloto também não identificou o problema. Estamos tentando compreender, com a ajuda de especialistas em fatores humanos, o que é preciso colocar ainda mais no cockpit para ajudar os pilotos neste momento.
As falhas nas sondas pitot não foram determinantes?
BOUILLARD: Foram uma das causas. Mas há outras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário