sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ativistas

DAMASCO - Seria um mês de reflexão, preces, jejum e celebrações após o crepúsculo. Mas este ano o Ramadã, que acontece em agosto, terá um novo significado na Síria: o mês sagrado para os muçulmanos será uma oportunidade para intensificar os protestos contra o presidente Bashar al-Assad, apesar dos temores de que o regime possa responder de forma ainda mais dura aos apelos por democracia.

Ativistas pretendem explorar o aumento da frequência diária em mesquitas, que nos últimos cinco meses atuaram como pontos de concentração para protestos na sexta-feira. Muitos que não frequentam regularmente uma mesquita acabam por fazê-lo durante o Ramadã, quando acredita-se que as orações podem ter mais peso que em outras épocas do ano.

- Se tornou um clichê dizer que haverá uma sexta-feira todos os dias quando as pessoas se reunirem para rezar, mas é isto - disse um ex-preso político que tem fortes ligações com a comunidade sunita.

Nesta sexta-feira, a última antes do Ramadã, ao menos 20 pessoas foram mortas pelas forças de segurança, que intensificaram as prisões nesta semana num sinal de que o regime está se tornando cada vez mais repressor.

Ao menos 1.600 civis já foram assassinados durante manifestações contra o governo Assad.

O Ramadã geralmente uma época de silêncio. Os negócio desaceleram, e as pessoas lutam para chegar ao fim do dia sem beber água. Mas as pessoas vão para a mesquita com mais freqüência, especialmente para a tarawih, a oração noturna.

Antecipando as celebrações, manifestantes na cidade de Hama entoaram:

"Nosso Deus, nos ajude a jejuar e rezar, e derrubar o regime".

Muitos ativistas esperam que líderes religiosos ajudem a unir as pessoas se a violência aumentar durante o mês sagrado.

Para um ativista, não só os ânimos dos opositores ao regime estarão inflados, mas os próprios membros das forças de segurança também ficarão irritados.

- O Ramadã significa menos horas de trabalho, é quando as pessoas podem descansar. As forças de segurança e o Exército estarão cansados e com a moral baixa porque deveriam estar em casa com suas famílias - disse ele.

Um jovem profissional em Damasco também aponta que o país está cada vez mais polarizado:

- Os amigos com quem eu saía no ano passado não são os mesmos com quem eu irei jantar este ano. Os círculos de amizade mudaram - explica ele.

- As pessoas estão se unindo mas também se opondo. O Ramadã vai testar isso. Posso imaginar famílias esperando seus filhos em casa quando tudo o que eles querem é ir para as ruas - acrescentou.

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