Pesquisadores franceses encontram o maior vírus de que se tem notícia até hoje.
O megavírus é de 10 a 20 vezes maior e apresenta muito mais genes do que os vírus comuns. Ele foi coletado da água do mar na costa do Chile, e foi denominado Megavirus chilensis. Apesar do tamanho, ele não é grande o suficiente para ser visto a olho nu, mas pode dispensar os microscópios eletrônicos, podendo ser visualizado por um microscópio óptico comum.
Há alguns anos, biólogos se surpreenderam ao encontrar o primeiro grande vírus, chamado Mimivírus. Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, precisam necessariamente invadir uma célula para se reproduzir e completar seu ciclo de vida. O Mimivírus não deixa de ser parasita. Mas, além de invadir as células hospedeiras, o genoma viral carrega uma série de genes que substituem as funções celulares básicas, incluindo alguns envolvidos no reparo do DNA e na fabricação de proteínas.
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Seu tamanho e material genético abundante são muito incomuns, o que levou cientistas a sugerirem que estes vírus poderiam explicar a origem da vida baseada no DNA. Se os vírus carregam todos estes genes, então é possível imaginar que um indivíduo se estabeleceu em uma célula hospedeira e simplesmente nunca mais a deixou livre, tomando conta de todo a maquinária e assumindo gradualmente as funções restantes, que eram realizadas pelo material genético do hospedeiro. Isto também poderia explicar a existência de um núcleo distinto dentro das células eucarióticas.
Entretanto, um artigo publicado hoje, discorda completamente desta visão. Os autores deste trabalho afirmam que os vírus gigantes apresentam essa grande quantidade de material genético – que é normalmente associado às células – porque, em seu passado distante, eles eram células.
Os Mimivírus foram descobertos parasitando uma ameba. Por isso, os autores do novo estudo, resolveram utilizar uma técnica relativamente simples na busca de parentes do vírus: pegaram três diferentes espécies de ameba, as expuseram a uma variedade de amostras ambientais, e esperaram para ver se algum microorganismo começava a parasitá-las.
Em amostras obtidas de uma estação de monitoramento do oceano na costa do Chile, os cientistas conseguiram observar megavírus parasitando amebas. Em seguida, os autores passaram a observar seu desenvolvimento e perceberam que o vírus encontrado se comportava de maneira semelhante aos Mimivírus, formando estruturas dentro da célula hospedeira, que foram identificadas a partir de análises em análises em microscópios eletrônicos.
Os pesquisadores também seqüenciaram o genoma completo do vírus, que apresentou cerca de 1.26 milhões de pares de bases de DNA. Ambos compartilham um conjunto idêntico de genes envolvidos na transcrição de seu DNA em RNA, e usam os mesmos sinais para determinar onde as transcrições devem começar e parar. Além disso, os cientistas encontraram genes especializados no reparo de DNA danificado pela luz ultravioleta e genes envolvidos na tradução de RNA em proteína. A partir destas análises genéticas, os cientistas determinaram que os vírus encontrados nas amebas são primos distantes dos Mimivírus. Estas descobertas apóiam a idéia de que os vírus eram, na escala evolutiva, mais complexos e com mais genes do que os que conhecemos hoje.
A presença de genes comuns nas duas espécies demonstra a existência de um ancestral comum e deixa duas possibilidades para os vírus atuais: ou o vírus ancestral tinha uma grande coleção de genes que seus descendentes perderam ao longo do tempo, ou cada vírus adquiriu novos genes de seus hospedeiros, através de um processo chamado transferência horizontal.
Os autores deste trabalho crêem mais na primeira possibilidade já que a maioria dos genes específicos encontrados nos dois vírus, não se parecem com nenhum gene presente em seus hospedeiros. Ainda existem dúvidas sobre o momento em que o ancestral comum existiu. Os cientistas acreditam que os vírus tiveram um ancestral comum com eucariontes, mas que se separou logo após os eucariotas divergirem de bactérias e archaea.
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Para os autores, as descobertas sugerem que os vírus são descendentes de uma célula eucariótica ancestral de vida livre. Muitos genes e estruturas a partir daquele organismo ancestral foram gradualmente perdidos ao longo da história de vida como parasita, deixando um organismo que se propaga de maneira parecida com os vírus, mas que pertence a linhagens distintas de todos os outros vírus que temos conhecimento.
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