Milhares de partidários do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, juraram lealdade ao líder venezuelano, à Constituição e ao socialismo, em um ato simbólico realizado nesta quinta-feira, no centro de Caracas, no dia em que o presidente deveria assumir seu terceiro mandato.
"Juro pela Constituição bolivariana que defenderei a presidência do comandante Chávez nas ruas, com a razão, com a verdade, com a força e a inteligência de um povo que se libertou do jugo da burguesia", disse em coro a multidão concentrada diante do Palácio Presidencial de Miraflores, repetindo as palavras do vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Com a mão sobre o coração e vestida de vermelho (cor do chavismo), a multidão fez um "juramento coletivo de lealdade a Chávez e à pátria", em uma versão popular do juramento que o presidente deveria prestar nesta quinta diante da Assembleia Nacional se não estivesse internado em um hospital de Havana.
"Como ele não pôde vir, estamos aqui para tomar posse. Nós o amamos", disse à AFP Cleofelia Aceros, enquanto caminhava em direção ao palácio presidencial de Miraflores, ocupada por uma maré vermelha de chavistas e membros do partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Vestido com um agasalho esportivo vermelho, Maduro subiu no palanque principal, enquanto os presidentes da Bolívia, Evo Morales, da Nicarágua, Daniel Ortega, e do Uruguai, José Mujica, ocupavam seus assentos, assim como outros ministros e autoridades da região.
"Hoje e 30 dias após a operação do presidente Chávez, que está enfrentando uma batalha, nós lhe dizemos daqui: comandante, tranquilo, continue sua batalha que aqui tem um governo bolivariano e um povo revolucionário lhe apoiando", disse Maduro em um emotivo discurso, enquanto aviões de fabricação russa Sukhoi, da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), cruzavam o céu azul de Caracas.
"Juro diante da Constituição da República da Venezuela absoluta lealdade aos valores da pátria, absoluta lealdade a liderança do comandante Chávez", disse Maduro com a mão sobre o coração.
"Juro que defenderei esta Constituição, nossa democracia popular, nossa independência e o direito de construir o socialismo na nossa pátria", prosseguiu o vice-presidente. "Juro em levar adiante o programa da Pátria (promovido por Chávez) em cada bairro, em cada fábrica, escola, esquina, praça, em cada família".
"Comandante, recupere-se que este povo já prestou seu juramento e terá lealdade absoluta. Viva Chávez!", gritou Maduro.
Diante de Maduro e do número três do chavismo, Diosdado Cabello, presidente do Congresso Venezuelano, a multidão cantou o hino nacional acompanhando uma gravação em que era possível ouvir a voz de Chávez, de 58 anos.
"Nicolás, Nicolás, o povo está contigo!!!!" - gritava a multidão para o candidato do 'chavismo' à presidência em eventuais eleições antecipadas.
"Nicolás (Maduro), quero destacar que a companheira Cristina (Kirchner), o governo que ela preside e o povo argentino estarão com você todos os dias até o regresso" de Chávez, disse o chanceler argentino, Héctor Timerman.
Muitos manifestantes vestiam uma faixa presidencial de papel com as cores da bandeira venezuelana (amarelo, azul e vermelho), em meio ao som de bandas.
Com um "Até a vida sempre!", Hugo Chávez se despediu há um mês dos venezuelanos para viajar a Cuba para ser submetido pela quarta vez a uma cirurgia contra um câncer. Desde então, Chávez, que durante 14 anos de governo manteve uma presença quase diária nas telas de televisão, não tem se comunicado com o país.
Seu estado é "estacionário", em um quadro de insuficiência respiratória, segundo o último boletim divulgado na segunda-feira pelo governo.
"Se Chávez tivesse vindo hoje tomar posse, eu também teria vindo. Não muda nada o fato de não estar aqui. Levamos ele no coração", afirmou à AFP Luis Brito, de 60 anos, professor de Direito vindo de Puerto la Cruz (noreste).
O ato transcorreu em um ambiente descontraído depois de uma forte controvérsia constitucional resolvida pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) na quarta-feira. A instituição decidiu que Chávez não deve ser substituído e que seu governo será mantido, em decisão aceita pelo líder da oposição, Henrique Capriles.
Nenhum comentário:
Postar um comentário