VENEZUELA - Salvador Navarrete, o médico que afirmou que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sofria de uma forma de câncer muito agressiva, um sarcoma, na região pélvica, o que limitaria a sua sobrevida a dois anos, abandonou o país. Segundo o jornal "La Nacion". depois da entrevista concedida ao semanário mexicano "Milênio", em 16 de outubro, na qual revelava a informação sobre a saúde do presidente, o médico foi procurado pelo órgão de inteligência do governo, Sebin . Ontem os rumores cessaram. Em um comunicado divulgado pelo jornal "Tal Cual", Navarrete quebrou o silêncio de vários dias. "As circunstâncias me forçaram a deixar o país de forma abrupta", declarou o médico.
No texto, o médico afirma que suas revelações estavam motivados pela importância de informar aos cidadãos sobre a o padecimento de Chávez. Navarrete afirma que os detalhes já haviam sido expostos antes por médicos como Edmundo Chirinos e que, portanto, as informações da entrevista não eram nenhum segredo.
"É apenas uma prática clínica que pode levar qualquer médico a chegar a um diagnóstico presumido, nunca final." Navarrete diz ainda que quer lutar por suas palavras, mas com a certeza de que vai ser bastante criticado.
Na última quinta-feira, o presidente venezuelano, de 57 anos, que estava desde o final de semana em Cuba para o que afirmava ser um check-up "final", que indicaria que estava livre do câncer, comunicou que faria uma cerimônia de agradecimento por sua saúde. Médicos, no entanto, dizem que não é possível afirmar que houve cura antes de passado o período de dois anos.
"Amanhã estaremos na Venezuela! Iremos cumprir com uma promessa diante do Santo Cristo de La Grita. Venceremos!", disse Chávez no Twitter, referindo-se a um santuário católico no leste do país.
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Segundo o "La Nacion", o presidente da Federação Médica Venezuelana, Douglas León Natera, não firmou um posicionamento sobre as declarações de Navarrete:
- Não podemos nos pronunciar por isso invalidaria nossa ação em um tribunal disciplinar que poderá eventualmente ser convocado para julgar as ações de Navarrete.
A Provea, ONG dedicada a defesa dos direitos humanos, tampouco se pronunciou sobre a reação oficial contra o médico:
- O tema tem uma tinta política muito notória, por isso não há discutimos até o momento - afirmou Marco Antonio Ponce, investigador da organização.
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