sábado, 22 de outubro de 2011

Colapso na saúde! "Estamos nessa loucura de não deixar o povo morrer’ - 24 Horas News - Seu portal de notícias em Mato Grosso

Colapso na saúde! "Estamos nessa loucura de não deixar o povo morrer’
Keka Werneck
do Centro Fé e Esperança





O eletricista Iron da Silva, 44 anos, nunca imaginou que um dia precisaria ficar internado no corredor de um hospital. Mas é isso que aconteceu com ele. Na última quarta-feira, era um dos 42 pacientes dispostos pelo chão do Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (PSMVG), que está superlotado. O eletricista sofreu um acidente e quebrou a perna em dois lugares, isso em janeiro deste ano, e teve que colocar ferro para ligar os ossos. Agora, a perna rejeitou o ferro e infeccionou. Iron precisa de uma cirurgia.

Os corredores de um pronto-socorro pode parecer um campo de batalha, era isso que lembrava o PSMVG na quarta-feira, quando o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) , o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Comitê de Defesa da Saúde, formado por movimentos sociais, levaram até lá o defensor público Marcelo Rodrigues Leirão e o promotor de Cidadania de VG Rodrigo Arruda, para denunciar a eles uma situação que não é nem um pouco nova, mas que se agravou com a decisão da Prefeitura de VG de não abrir o Hospital Metropolitano para atendimentos de alta complexidade.

A dona de casa Otília Maria Pedrosa, de 73 anos, não sabia explicar os motivos de tanta lotação. Para ela, lotação em pronto-socorro é coisa comum, natural, faz parte da vida de uma idosa sem plano de saúde. Otília mora no Coxipó, em Cuiabá. Sentiu-se mal na madrugada da segunda-feira, forte dor no peito e foi procurar atendimento onde deveria ir mesmo conforme as autoridades da saúde, a Policlínica do Coxipó. Só que não tinha médico e a suspeita era de enfarto. Otília, conforme conta, foi levada a outras unidades de saúde. “Mas ninguém me atendia, até que me trouxeram aqui para Várzea Grande”. Na quarta-feira, ela já estava há três dias sendo atendida no corredor do PSMVG. “Acabou o soro faz um tempão, já chamei para trocarem, mas ainda não vieram”, disse ela, mostrando o saco vazio, sem saber que essa situação não é natural, é um problema político, de gestão pública.

A presidente do Sindimed, Elza Luiz de Queiroz, explicou que essa visita se trata de um ato de denúncia. Ela mostrou um dossiê que denota o colapso no PS de VG, já protocolado semana passada junto ao Governo do Estado (Casa Civil) e Prefeitura de VG. “A unidade está em reforma desde o início do ano. Tem cinco salas de cirurgia, mas só uma funciona. Os corredores estão lotados de casos de urgência e emergência. “O pronto-socorro de Várzea Grande é ainda muito pior do que o de Cuiabá”, compara a médica sindicalista.

O promotor informou que há mais de 10 procedimentos em trâmite no Ministério Público de VG e duas ações civis públicas, uma de 2007 e outra de 2011, tudo isso no sentido de cobrar do Estado a responsabilidade por essa situação. Perguntado sobre o porquê da demora dessas ações resultarem em decisões, ele disse que isso deve ser cobrado do Judiciário.

O defensor Marcelo afirma que essa situação do PS de VG cabe multa pessoal aos gestores públicos e até prisão, havendo desobediência.

Sobre a forma como o PS está se virando para atender a tantos pacientes, a farmacêutica Sumaia Leite de Almeida diz que “estamos nessa loucura de não deixar o povo morrer”. Segundo ela, tem faltado medicamentos e as pessoas fazem “vaquinha” para comprar.

O militante do Comitê de Defesa da Saúde, Lehu Araújo, informa que vários protestos já foram feitos contra o caos na saúde em Mato Grosso e também contra a privatização do setor o que, segundo ele, pode piorar ainda mais o quadro.

Para a representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Dalete Soares, “se tivéssemos gestores de verdade isso não estaria acontecendo”.

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