terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Transgênicos: uma polêmica com interesses ocultos -I

Cientistas na busca de respostas
Carmen Jaizme-Vega é doutora em ciências biológicas, diretora do Departamento de Proteção Vegetal do Instituto Canário de Pesquisas Agrárias (ICIA) e apresentou nas Jornadas Científicas Internacionais sobre Transgênicos sua própria experiência e as conclusões de seus estudos científicos.

A doutora explica qual é o objetivo da transgenia: "Os transgênicos são a aplicação de uma biotecnologia sobre as plantas a fim de adaptá-las a um meio, ou de melhorar sua atitude frente a uma doença ou estresse. Para isso transferem (transgenia) para elas o gene de outro ser vivo, que no caso das plantas transgênicas mais usadas não se trata de um gene de outra planta, mas o gene de um organismo, de um bacilo ou bactéria. Esse é o problema da plantas transgênicas que são consumidas".

Os resultados que se querem obter mediante este processo de laboratório, explica Carmen, são "a melhora do fortalecimento da planta e que seu cultivo seja o menos problemático possível. Em alguns casos, por exemplo, que se gaste menos em inseticidas".

O problema é que ainda não se demonstrou que seu consumo não afete a saúde do ser humano, porque, como assinala a doutora, "os efeitos prejudiciais podem acontecer a longo prazo, mas não há pesquisa responsável que demonstre que as plantas transgênicas sejam más para seu consumo. O que há são evidências científicas que são prejudiciais para o meio ambiente porque esses genes que passam de uma espécie para outra são liberados no solo, na matéria orgânica e se introduzem na cadeia trófica".

Ela afirma taxativamente: "Os pesquisadores que defendem os transgênicos fizeram experimentos, mas nós não confiamos em seus resultados porque nem têm o tempo suficiente, nem foram feitos nas condições que consideramos que têm que ter. Também não nos deixam investigar livremente, porque se tivéssemos as mesmas oportunidades, talvez, não estaríamos falando assim, simplesmente confrontaríamos os resultados".

"O mundo científico se movimenta igual ao não científico, ou seja, por interesses econômicos e políticos. Às vezes, inclusive, pela própria vaidade do cientista. Estas sementes patenteadas fazem parte do negócio de algumas multinacionais. São um comércio e os comércios em toda parte do mundo e em todos os momentos da humanidade têm suas normas. Por isso, nós, neste momento, somos uma minoria", lamenta Carmen.

Quanto à atitude da população frente ao consumo passivo destes cultivos, aos quais muitas vezes se tem acesso sem conhecer sua origem, Carmen opina que, "os cientistas têm que ser honestos, não transmitir uma mensagem de catástrofe nem radical dizendo que todos os transgênicos são maus, porque não é verdade. A insulina que é derivada de uma transgenia não é má. O ruim é a liberação de transgênicos no meio ambiente sem se ter conhecimento".

Para a cientista, em ciências biológicas existe, no entanto, uma mudança substancial na atitude das pessoas. "Eu sei que há uma maquinaria econômica e empresarial que não liga para ninguém, mas as pessoas estão cada vez mais críticas porque estão muito decepcionadas. O próprio desânimo que criou esta crise econômica fez com que o povo esteja desconfiado e questione. É o momento em que nós podemos fornecer informação ou, embora seja, a incerteza."

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