"A morte do cabo tem que ser um símbolo da nossa força, da nossa determinação. É claro que é um momento de tristeza, mas também é hora de fortalecer nosso trabalho na Rocinha", afirmou Caldas, ao RJTV.
O coronel disse ainda que a polícia está perto de alcançar um "momento de estabilização", com um número adequado de policiais na comunidade.
"A chegada de 700 policiais foi fruto de planejamento da PM. A morte do cabo foi uma fatalidade, uma situação que os policiais intevieram na abordagem de um suspeito", completou. 
Polícia identifica suspeito
A polícia já identificou o homem suspeito de matar o cabo Rodrigo Alves Cavalcante, de 32 anos, do Batalhão de Choque (BPChoque). Segundo a PM, Edilson Tenório de Araújo abandonou uma mochila com documentos e munição 9 milímetros, a mesma que matou o militar, após ter atirado no policial. O suspeito ainda conta com duas passagens por tráfico de drogas.
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Major exibe foto do suspeitos os policiais | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
"Os policiais contaram que o cabo Rodrigo foi abordar um homem em atitude suspeita e mandou que ele parasse. O suspeito correu e atirou para trás. Foi quando o policial foi atingido. O homem fugiu e abandonou a mochila. Não foi uma ofensiva contra a Polícia Militar, o bandido tentou se proteger", disse o major Edson Santos, coordenador de policiamento da comunidade.
O cabo Rodrigo foi baleado na axila durante um patrulhamento na comunidade, ocupada pelas forças de segurança desde novembro do ano passado, após a prisão do então chefe do tráfico de drogas Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Socorrido por colegas no Hospital Miguel Couto, na Gávea, o PM não resisitiu ao ferimento. É a nona morte na comunidade nos últimos 39 dias.
De acordo com o major Santos, que se reuniu com cerca de 150 homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Choque e da Coordenadoria de Inteligência que realizam patrulhamento nesta quarta-feira na comunidade, a orientação é procurar o suspeito. Uma foto de Edilson Tenório foi distribuída aos policiais. Major Santos disse ainda que a recomendação é tomar os becos da Rocinha.
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
PMs caçam suspeito de matar policial na Rocinha | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
"Não temos como mudar o tipo de policiamento. Ele precisa ser feito a pé porque a área é complicada", revelou.
Em nota, a Polícia Militar solicitou à população que ajude com informações que levem à captura do suspeito, através dos telefones 2332-8486 (Setor de Inteligência do BPChq) ou 2253-1177 (Disque-Denúncia), além do e-mail bpchqintel@gmail.com. O anonimato serágarantido
 Filho de um policial militar da reserva, o corpo do cabo será sepultado com honras militares. De acordo com a PM, ainda não estão definidos o local e data do sepultamento. Nesta quarta, às 15h30, será realizada uma entrevista coletiva com a participação do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, do comandante da PM, coronel Erir Costa Filho, e da da chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, para falar sobre o caso.
'O tráfico vai continuar tentando dominar a região', diz major
O tiro que feriu e matou o cabo Alves foi efetuado por uma pistola. A Divisão de Homicídios (DH) assumiu as investigações.
Polícia investiga crime na Rocinha | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Polícia investiga morte de homem na Rocinha, no último sábado | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
O major Edson Santos admitiu nesta terça-feira que existe uma briga pela venda de drogas na favela. “É uma guerra pelo controle econômico gerado pelo tráfico, que movimentou milhões de reais na Rocinha. Mesmo com a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), teremos esse problema porque o tráfico vai continuar tentando dominar a região”, afirmou o oficial. A UPP está prevista para ser instalada na comunidade em julho.
As prisões dos principais chefes do tráfico, entre eles Antônio Bonfim Lopes, o Nem, foi a justificativa do major para o aumento da violência após a pacificação. “A Rocinha ficou sem ninguém no controle do tráfico e por isso os criminosos estão querendo tomar os pontos de venda de drogas. Os órgãos de inteligência das polícias têm detectado isso”, explicou o oficial.
Segundo ele, Aureliano de Oliveira Neto, que também está preso acusado de ser o tesoureiro do traficante Nem, estaria disputando a região com Inácio de Castro Silva, o Canelão. Neto é da facção Amigos dos Amigos (ADA) e Canelão, que teria voltado à Rocinha, do Comando Vermelho (CV).
Para tentar frear a guerra do tráfico e evitar mais mortes na Rocinha, o major Edson fez alterações no patrulhamento da região, mas disse que deverá fazer outras modificações. “Agora, apenas o Batalhão de Choque (BPChoque) e os PMs recém-formados ocupam a favela. Tivemos reunião ontem (segunda-feira) no QG e teremos outra amanhã (quarta-feira) sobre isso. Estamos analisando a melhor maneira de atuar lá”, revelou.
Polícia investiga crimes na Rocinha
A Polícia Civil vem realizando investigações a fim de esclarecer os crimes ocorridos na Comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio. A Divisão de Homicídios (DH) já conseguiu identificar os suspeitos de cometerem oito crimes nos últimos dois meses.
Na última semana, a DH identificou Thiago Martins Cafieiro, o FM, de 30 anos e um homem conhecido como Vasquinho como sendo os autores do assassinato do líder comunitário Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Barcelos (Amab), na Rocinha, no último dia 26. Contra Thiago, já foi expedido um mandado de prisão temporária pelo crime de homicídio enquanto que “Vasquinho” teve a prisão pedida a Justiça.
Também na última sexta-feira, a DH pediu a prisão de cinco homens acusados de um quádruplo homicídio na Rocinha: Zeus Pereira Vasconcelos, o “Peteleco”, de 30 anos, Alberto Luiz Justiniano Deodato, o Zork, de 30 anos, Inácio Castro Silva, o Canelão, 32 anos, Leandro Soares dos Santos, o Carequinha, 31 anos, e André Fernandes de Paulo, o Cupim, 21 anos tiveram a prisão preventiva decretada pelo crime de homicídio ocorrido no último dia 18, quando foram assassinados, Rafael Pacheco de Souza, Leandro Santos Braga, Vitor Fontoura Pereira e Jairo Ramos de Souza.
Os criminosos tiveram o mandado de prisão expedido pelo Juízo da 3ª Vara Criminal. Leandro Soares dos Santos e André Fernandes de Paulo já encontram-se presos. Os policiais da Divisão da Homicídios estão realizando diligências a fim de localizar e capturar outros três criminosos que são considerados foragidos da justiça
A DH também já conseguiu identificar o autor do assassinato de Alexandre da Cunha Fernandes, o Dante, com um tiro de pistola na cabeça no cruzamento da Via Ápia com Estrada da Gávea, no último domingo, e em breve o caso será elucidado.
Amaro Pereira da Silva, conhecido como Neto, também já foi identificado com sendo autor das mortes dos traficantes conhecidos como Pateta e PQD ocorridos no dia 15 de Fevereiro. A Divisão de Homicídios já relatou o caso ao Ministério Público, com um pedido de prisão preventiva contra Neto.