Polícia, prefeitura e estado montam força-tarefa para controlar feira de Caxias
POR GERALDO PERELO
Rio - Apontada como maior centro de comércio ilegal de animais silvestres a céu aberto do País, a feira livre de Duque de Caxias, no bairro 25 de Agosto, vai, finalmente, ganhar um posto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O objetivo é fechar o cerco aos traficantes, inclusive internacionais, que, aos domingos, negociam animais da fauna brasileira, muitos em risco de extinção.
A força-tarefa envolve outros órgãos ambientais, municipais e estaduais, como o Batalhão de Polícia Florestal (BPFMA), a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
Segundo o secretário de Meio Ambiente de Caxias, Samuel Maia, agentes, com binóculos e radiotransmissores, vão controlar a feira, do alto de uma cabine, para tentar identificar traficantes. E entrar em contato com agentes infiltrados na feira.
Maia explica que a decisão de criar a força-tarefa surgiu devido à constatação de que a feira livre de Caxias ganhou fama internacional. “Foi quando o prefeito Zito criou o programa Tolerância Zero para coibir a comercialização de animais”, explica.
Nos últimos dois anos, o Batalhão Florestal prendeu, no Estado do Rio, 1.210 pessoas por crime ambiental. No período foram apreendidos 9.145 animais, dos quais 5.808 em 2011.
A maioria das ações ocorreu nas feiras de Caxias, Alcântara, Neves, Honório Gurgel e Campo Grande. Havia desde coleiro a mico-leão dourado, além de tartarugas-d’água e araras.
O comandante do batalhão, tenente-coronel André Vidal, disse que a maioria dos animais é trazida de estados do Nordeste e chega às feiras estressada, debilitada e, em muitos casos, dopada e cega. Ele contou que pelo menos 50% não resistem aos maus-tratos e morrem antes de chegar ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Seropédica.
Hábito incentiva criminosos
Para o superintendente do Ibama, Adilson Gil, a cultura da compra de animais silvestre por parte da população ainda é o grande entrave para o fim da ação dos traficantes.
Ele lembra que há pessoas que acham normal ter em casa um papagaio ou outra espécie qualquer. “Essa questão tem que ser combatida. Se alguém quer ter um animal, que seja um gato ou um cão; jamais um animal silvestre”.
Gil cita, como exemplo da ação dos traficantes, a apreensão, no domingo passado, de um filhote de carcará na feira de Duque de Caxias. “Temos que acabar com as quadrilhas. Para isso, quanto mais órgãos ambientais agindo, melhor”, diz o superintendente.
Cerco aos traficantes de animais começou em 2008
Foi a partir da feira de Duque de Caxias que a regional da Polícia Federal em Nova Iguaçu e o Ministério Público Federal desencadearam, em 2008, a Operação Oxossi. Ela foi responsável pela prisão preventiva de 103 suspeitos de tráfico de animais, incluindo estrangeiros.
Os federais descobriram que os bichos eram levados também para Portugal, Suécia, Alemanha e República Tcheca. A ação, comandada pelo delegado Alexandre Saraiva, e resultou, em agosto de 2011, na condenação,pela Justiça Federal, a dez anos de cadeia, do theco Tomas Novotny, pelos crimes de receptação e contrabando internacional de animais silvestres e formação de quadrilha.
A operação, que chegou a mobilizar 450 agentes em oito estados, além do Rio de Janeiro, prendeu também quatro policiais militares e empregados de empresas de ônibus que transportavam os animais em compartimentos de cargas dos veículos.
Saraiva lembrou que os acusados usavam formas cruéis de captura e transporte, além de confinar centenas de animais em pequenas caixas. E, quando percebiam que seriam alvos de fiscalização, os criminosos se livravam dos animais mutilando suas asas ou dando descarga.
Foram interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça que apontaram a feira de Duque de Caxias como um dos principais pontos de venda de animais silvestres do País. Segundo as investigações, os animais eram capturados no Parque Nacional da Bocaina, em Paraty, e nos estados de Pará, Bahia, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
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