No dia 27 de julho, a festança no Estádio Olímpico de Londres não marcará apenas o início oficial dos Jogos de 2012. Celebrará também um recorde histórico para a capital britânica, que se tornará oficialmente a primeira cidade a sediar a maior competição do esporte mundial pela terceira vez. Um privilégio que tornou ainda mais especial a vitória londrina na disputa com Paris pela sede do evento, em 2005, quando meio mundo esperava ver a capital francesa ser escolhida. Londres decidiu tomar um caminho menos faraônico que o de Pequim-2008, ainda que sem abrir mão do arrojo arquitetônico. Mas os Jogos de 2012 serão bem diferentes das edições londrinas anteriores...
1908 — Olimpíada herdada
Até 1906, Roma era a cidade escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 1908. No entanto, a erupção Monte Vesúvio, que em 1906 devastou a cidade de Nápoles, obrigou as autoridades italianas a realocarem o orçamento para os esforços de reconstrução da cidade. Numa disputa com Berlim, Londres acabou escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional.
Correndo contra o tempo, os organizadores optaram por acoplar a competição a um evento na época muito mais prioritário para a capital: o Festival Franco-Britânico, que celebrava a assinatura da Entente Cordiale, o tratado de paz entre os governos dos dois países. A feira, com seus pavilhões grandiosos, atraiu nada menos que oito milhões de visitantes.
As Olimpíadas foram pano de fundo. Apesar de elogiado pelas linhas arquitetônicas, o Estádio Olímpico, construído na região do oeste da capital hoje conhecida como White City, foi concebido para concentrar o grosso do programa: além da pista de atletismo, contava também com piscina e áreas para as apresentações de ginástica artística.
Ao contrário do que ocorre hoje, não havia pressa para acabar com as competições: a Cerimônia de Abertura foi em 27 de abril e a de encerramento só teve lugar seis meses depois. Com 22 esportes, e um programa que ainda contava com modalidades hoje extintas, como cabo de guerra, tiro ao veado e corridas de lancha, os Jogos receberam 22 países e apenas um da América do Sul, a Argentina. A equipe britânica reinou suprema: conquistou 146 medalhas (56 de ouro) e ficou bem à frente do segundo colocado, os EUA, que obtiveram um total de 47.
Ironicamente, porém, o grande herói dos Jogos de 1908 não recebeu medalha. O maratonista italiano Dorando Petri tornou-se célebre por conta do esforço que fez para tentar terminar a prova. Apesar de ser o primeiro corredor a adentrar o Estádio Olímpico, ele desabou no chão por várias vezes e só cruzou a linha de chegada porque dois juízes o carregaram. Desclassificado, ele no dia seguinte recebeu da rainha Alexandra, esposa do rei Eduardo VII, um troféu de consolação.
Mas houve também quem acumulasse medalhas. O britânico Henry Taylor, por exemplo, obteve três ouros na natação, um feito ainda mais heroico se levado em conta que em 1908 a preocupação com a qualidade da água não fazia parte das prioridades da natação: além de chuvas torrenciais que enlamearam a água, um concurso de pesca foi organizado na piscina durante as Olimpíadas. Foram precisos 100 anos para que outro britânico repetisse façanha de Taylor: Chris Hoy levou três medalhas no ciclismo em Pequim-2008.
Por sinal, um dos pontos mais curiosos dos Jogos foi a decisão de fazer uma cerimônia coletiva de entrega de medalhas: em massa e com a informalidade reservada à distribuição de brindes em grandes eventos.
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