sábado, 7 de janeiro de 2012

Morador de cidade alagada usa colete salva-vidas: nunca se sabe


Segundo a Defesa Civil, cerca de 500 famílias se recusam a deixar casas inundadas. Foto: Gerson Gomes/EFE

Segundo a Defesa Civil, cerca de 500 famílias se recusam a deixar casas inundadas
Foto: Gerson Gomes/EFE

"Tudo começou às 7h e como sempre não deu para salvar tudo, todos os anos é a mesma coisa", conta Borges à AFP. Ele vestia um colete salva-vidas vermelho "porque nunca se sabe". Todos observavam quase hipnotizados o denso rio marrom apoderando-se de todos os estabelecimentos: o bar, a escola, a igreja, tudo fechado. "É que a água destrói tudo", disse Junior Mendes, morador de 26 anos.

O silêncio que tomava conta do lugar nesta sexta-feira só era interrompido pelo barulho dos motores dos barcos, que transportavam, além de pessoas, comida e água a quem decidiu continuar em casa enquanto a inundação durar. Segundo projeções da Defesa Civil, a cidade pode continuar inundada durante um mês.

No depósito da mercearia de Borges, que se salvou da inundação, se instalaram Ducineri Martines e seu marido, Reinaldo Quintilla, com os produtos que conseguiram salvar a tempo de sua casa com ajuda do Exército. "Levantei cedo, a notícia correu rápido, um grito me alertou e começamos a tirar as coisas: a geladeira, o fogão, a televisão e um sofá. É alguma coisa, não?", disse sorridente a dona de casa, enquanto servia o almoço ao marido.

Em todo o Estado do Rio de Janeiro as autoridades emitiram alerta máximo por causa das fortes chuvas que causaram a evacuação de milhares de pessoas. Em Três Vendas, as autoridades começaram uma operação para abrigar as centenas de desalojados, e para convencer o resto a deixar as casas alagadas.

"O trabalho está muito difícil. Nós temos que fazer o trabalho de convencimento das famílias de deixarem as casas. Os assistentes sociais estão indo de barco de casa em casa para convencer as pessoas. Eu estou com o Exército me apoiando, com a Polícia Militar, a Guarda Civil municipal, mas eles se recusam a sair das casas. Nós queremos garantir o melhor atendimento possível para as famílias", disse o secretário municipal de Defesa Civil de Campos dos Goytacazes, Henrique Oliveira.

Uma das moradoras que deixou a casa alagada é Reselene Martines, mas ela garante que não foi por iniciativa oficial. "Não recebemos ajuda, estamos passando muitas dificuldades", lamentou ela, que saiu com seu avô e três filhos para a casa de uma tia em uma cidade próxima, deixando seus pertences à deriva. Com lágrimas nos olhos e o bebê dormindo nos braços, ela esperava um barco para ver em que condições sua casa havia ficado. "Se não fosse por ter que cuidar do meu avô e dos meus filhos ficava no teto da casa, não saía e assim, não perderíamos tudo."

Não é possível dizer, segundo o secretário da Defesa Civil, quando o nível da água vai baixar. Na estimativa de Oliveira, a região pode ficar alagada até o mês de fevereiro. A previsão da Defesa Civil é de que o mês de janeiro seja de muita chuva, alagando ainda mais a localidade. "A gente tem notícia que toda a região de Campos vai sofrer novamente no fim de semana, pois está se armando um temporal. Estamos explicando às famílias que podem ter problemas com a leptospirose e com a dengue. Se não conseguirmos hoje, nós vamos continuar amanhã", afirmou Oliveira.

Com informações da Agência Brasil

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AFP

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