Reprodução do site R7

Os investimentos do governo do Rio, principalmente, na implantação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas, têm contribuído para a redução da violência. Mas, quem vive fora da capital, como nas cidades da Baixada Fluminense, convive com situação bem diferente. Para os policiais que trabalham na região, a explicação para a dificuldade em reduzir os principais crimes está na falta de investimentos. A reportagem do R7 teve acesso aosefetivos dos seis batalhões da PM que patrulham a baixada. Ao todo, são 2.910 PMs, o que dá uma proporção de um policial para cada 1.254 moradores da região.

Os investimentos do governo do Rio, principalmente, na implantação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas, têm contribuído para a redução da violência. Mas, quem vive fora da capital, como nas cidades da Baixada Fluminense, convive com situação bem diferente. Para os policiais que trabalham na região, a explicação para a dificuldade em reduzir os principais crimes está na falta de investimentos. A reportagem do R7 teve acesso aosefetivos dos seis batalhões da PM que patrulham a baixada. Ao todo, são 2.910 PMs, o que dá uma proporção de um policial para cada 1.254 moradores da região.Esse efetivo é 24% menor do que o empregado nas 19 UPPsimplantadas na capital em pouco mais de três anos, que é de 3.800 policiais. No Rio, onde há mais de 13 mil PMs, a proporção é de umPM para cada 478 pessoas.
Para se ter ideia, a baixada, formada por 13 municípios, registrou mais homicídios do que a capital em 2011. Foram 1.440 casos contra 1.421 na capital, entre janeiro e dezembro do ano passado, de acordo com o ISP (Instituto de Segurança Pública).
Um sargento da PM, que preferiu não se identificar, reclama.
- A baixada virou abrigo para bandidos que fugiram das UPPs. Trabalho em Nova Iguaçu há mais de dez anos e nunca houve bandidos armados com fuzis. Agora, nas comunidades que ficam na estrada de Madureira, como Grão-Pará, Campo Belo e Sem Terra, isso é comum. Caxias recebeu chefes do tráfico do Alemão e da Penha. Os policiais formados não vêm para cá, vão para as UPPs. A baixada não vai sediar Copa do Mundo, nem Olimpíada, né?
O Batalhão de Mesquita (20º BPM), que cuida da segurança de 1,1 milhão de pessoas em Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis, tem apenas 637 policiais - um para cada 1.761 habitantes da região. Oefetivo do Batalhão do Leblon (23º BPM), na zona sul do Rio, era de aproximadamente 800 policiais, no início de 2011, o maior da capital, com proporção de um PM para menos de 300 pessoas - tropa mais de cinco vezes maior em comparação a Mesquita.
A UPP do morro da Mangueira tem 403 PMs, mais policiais do que o Batalhão de São João de Meriti (21º BPM), com 389, onde vivem quase 600 mil pessoas, e o Batalhão de Belford Roxo (39º BPM), que conta com 336 PMs para uma população de 470 mil habitantes.
Em números absolutos, a diferença entre a baixada e a capital é de 19 assassinatos em um ano, mas é preciso levar em conta que, na baixada, vivem cerca de 3,6 milhões de pessoas, o equivalente a 57% da população da capital, que é de 6,3 milhões, praticamente a metade, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Além disso, as 13 cidades formam uma área de 2.806 km², mais que o dobro do tamanho do Rio, com 1.205 km².
No Rio, na comparação entre 2010 e 2011, houve redução nos homicídios (- 13%), tentativas de homicídio (- 6,7%), roubos de veículos (- 17%), e roubos a pedestres (- 17%). Na Baixada Fluminense, os assassinatos se mantiveram praticamente estáveis (-1,7%) e aumentaram as tentativas de homicídio (16,7%) e os roubos de veículos (13,7%). Os roubos a pedestres caíram, mas em escala muito menor do que na capital (2,2%).
O 3º CPA (Comando de Policiamento de Área), responsável pelo patrulhamento da Baixada Fluminense, possui uma central demonitoramento e análise para perceber a movimentação da mancha criminal e definir as áreas a serem patrulhadas.
Oficiais que passaram recentemente pela região disseram terem pedido várias vezes o aumento do efetivo ao comando-geral da PM, mas não foram atendidos. Um coronel conta que o número de policiais nas ruas é ainda menor do que o efetivo disponível.
- Quando se fala em 600 policiais, é preciso levar em consideração que eles trabalham em sistema de turnos, a maior parte de 24 horas. Ou seja, do total do efetivo, muitos estão de folga e poucos estão nas ruas. Além disso, há policiais que trabalham em serviços internos e não vão para as ruas, sem contar os que estão presos, de licença-médica, os que morrem ou vão para a reserva.
Procurada pelo R7, a Polícia Militar não se pronunciou até o fechamento da reportagem.
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