quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Brasil deve se preparar para zika endêmica, dizem cientistas

Foto: APImage copyrightAP
Image captionAgentes de saúde aplicam inseticidas contra o mosquito transmissor do zika no Sambódromo, no Rio de Janeiro
O Brasil deve se preparar para que o zika vírus se torne uma doença endêmica tanto em território nacional como em outros países de América Latina, em um cenário semelhante ao que ocorre com a dengue – que desde os anos 1990 teve o número de casos multiplicados na região.
O aviso vem de cientistas ouvidos pela BBC Brasil para analisar os possíveis desdobramentos no surto que já atingiu mais de 20 Estados brasileiros e pelo menos duas dezenas de países no continente. Entre eles o entomologista e médico Andrew Haddow, neto de Alexander Haddow, um dos três cientistas que em 1947 isolaram pela primeira vez o zika vírus.
A projeção é de um cenário preocupante diante da possível relação do vírus com os 4 quatro mil casos sendo investigados de possível microcefalia no Brasil.
Para os especialistas, o país apresenta condições ideais para uma proliferação ainda maior do vírus do que a registrada até agora.
O principal fator é a resistência do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da doença, e que voltou a infestar centros urbanos no Brasil depois de duas vezes erradicado nas últimas décadas.
Dados do Ministério da Saúde mostram o avanço dengue no país. Foram 40 mil casos registrados em 1990. No ano 2000, o total saltou a mais de 135 mil casos, e superou 1 milhão em 2010. Em 2015, foram mais de 1,5 milhão de casos.
A segunda questão é o fato de que a população brasileira não tem o organismo "preparado" para um vírus que, até o atual surto, não tinha sido registrado fora de países de África, Ásia e Oceania.

'População inocente'

"A velocidade transmissão do zika no Brasil não é surpresa porque o vírus tem oAedes aegypti como o principal vetor de transmissão, e o país tem o que se pode chamar de 'população inocente', que não não foi anteriormente exposta. Parece-me bastante improvável que o Brasil e outros país da América Latina afetados livrem-se do zika, que tende a se tornar endêmico na região", afirmou Haddow, em entrevista por telefone à BBC Brasil.
Uma endemia é uma doença típica e frequente em uma determinada região, por vezes em algumas épocas do ano.

Casos de Dengue no Brasil

Crônica de uma endemia

1,64 milhão
de casos em 2015
40 mil
casos em 1990
  • 843 mortes em 2015
AFP
Haddow, que trabalha como pesquisador da Divisão de Virologia do Departamento de Defesa dos EUA, classificou o surtro brasileiro como um "grande alerta" para necessidade de mais estudos sobre zika, em especial por causa da possível correlação do vírus com a má-formação em bebês.
Em 2012, o cientista fez uma apresentação em uma conferência virologistas nos EUA em que argumentou que o vírus estaria prestes a se espalhar.
"Estava claro que havia a possibilidade de uma distribuição geográfica ainda maior do que apenas a África e a Ásia, mas acredito que muitos casos de zika, inclusive no Brasil, tenham sido diagnosticados erroneamente como dengue por causa dos sintomas semelhantes entre as duas doenças. Os casos de microcefalia no Brasil, ainda que não tenham sido definitivamente provados como consequência do zika, mudarão esse cenário", completou o americano.

'Endêmica e epidêmica'

A epidemologista Jane Messina, da Universidade de Oxford, coautora de um estudo de 2013 sobre o risco de contração de dengue no Brasil durante os meses da Copa do Mundo, também projeta um quadro de expansão do zika em território brasileiro. "Não vejo razão que para que o surto seja diferente do que aconteceu com a dengue no Brasil, ainda que conheçamos pouco sobre o vírus e seja um pouco cedo para se especular."
Leia também: A misteriosa estrutura espacial gigante invisível que intriga astrônomos
Foto: GettyImage copyrightGetty
Image captionSoldado do Exército inspeciona caixa d'água no Recife. Ação das autoridades foi elogiada por especialista americano
Messina também adota essa cautela para discutir as possíveis implicações para mulheres brasileiras e latino-americanas grávidas ou que pensem em engravidar. "Não há solução simples. Além da diminuição da população de mosquitos, tudo o que se pode fazer é seguir as orientações das autoridades nacionais e internacionais de saúde. E avaliar os riscos", completou a epidemiologista.
O diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, Alexander Precioso, também prevê um cenário de zika endêmico.
"O vírus é muito recente. A maior parte da população não está imune, ou seja, é suscetível ao zika. Vivemos hoje com o mosquito disseminado por todo o país e, mais, pelas Américas. O número de casos vai aumentar progressivamente. Há uma situação ideal para a doença ser endêmica e epidêmica", alerta.

Desconhecimento

O que piora a situação é o desconhecimento dos cientistas a respeito do vírus. Não se sabe, por exemplo, se uma pessoa que contraia o zika ficará imune, apesar de que especialistas do Brasil e dos Estados Unidos entrevistados pela BBC Brasil acreditam que sim. Também não se pode prever se o vírus sofrerá mutações.
"Evolução vale para todos os organismos", alerta Precioso. "Basta ver o influenza (vírus da gripe), que demanda uma vacina diferente todo ano."
O pesquisador do Butantan lembra que nem sequer é possível estabelecer com certeza uma relação direta entre o zika e os casos de microcefalia.
"A hipótese é forte, mas ainda não há uma comprovação (científica). Assim como ainda não se sabe se há transmissão por contato sexual", diz.
O americano Haddow elogiou os esforços do Brasil em intensificar as campanhas de combate ao Aedes aegypti, incluindo a mobilização de milhares de homens das Forças Armadas.

Olimpíada

"Na minha opinião, as autoridades brasileiras até reagiram rápido, pois o zika nas últimas décadas tinha sido ignorado pelas principais autoridades. O que se pode fazer agora é tentar reduzir as chances de contágio".
O americano, no entanto, não acredita que a Olimpíada deva ser simplesmente classificada como "de risco".
"As pessoas viajam para outros lugares do mundo onde há doenças graves transmitidas por mosquitos, como a malária. Há vírus em outros lugares do mundo que não o Brasil. O surto de zika serve para mostrar como a globalização e as mudanças climáticas estão criando condições para a propagação de doenças ao redor do mundo", finalizou Haddow.

Afinal, Nibiru e Planeta Nove são a mesma coisa?

O anúncio da possibilidade de haver um novo planeta nos confins do Sistema Solar causou grande euforia entre o pessoal que acredita na existência do planeta Nibiru, a maior parte desdenhando o conhecimento científico atual.

Nibiru
Clique para ampliar
Desde que Michael Brown publicou o paper (trabalho científico) sobre a hipótese de que um novo objeto orbitava no Sistema Solar, milhares de pessoas passaram a desdenhar sobre o estudo, afirmando que o povo Sumério já sabia da existência desse planeta há milhares de anos. Segundo eles, esse corpo se chama Nibiru e já pode ser visto por telescópios.
A maioria das pessoas que acredita nessa história costuma argumentar que Nibiru está vindo em nossa direção. No Brasil, os adeptos da existência de Nibiru costumam evocar a música "Segundo Sol", de Nando Reis, como uma espécie de profecia interpretada por Cássia Eller.
Diferente de argumentos e hipóteses científicas que precisam ser provados e quase sempre são reformulados para refletir a realidade, Nibiru é uma fábula em que muitas pessoas preferem acreditar, já que é uma história interessante, fácil de ser entendida e não precisa ser provada.

O que é Nibiru?
Para quem não sabe, Nibiru é um planeta hipotético, proposto pelo escritor e arqueólogo já falecido, Zecharia Sitchin, após traduzir e interpretar antigos textos sumérios.
Segundo ele, o povo sumério (que existiu na Terra entre 6500 a.C e 1940 a.C) já tinha conhecimento de todos os planetas do Sistema Solar, inclusive Nibiru, que segundo ele orbitaria o Sol de forma altamente elíptica a cada 3450 anos. Para Sitchin, a própria cultura suméria foi criada pelos extraterrestres que viviam em Nibiru, chamados Anunnakis, que aqui chegaram há 450 mil anos.
Pela interpretação de Sitchin, Nibiru estaria atualmente se aproximando do Sistema Solar interior, o que provocaria grandes mudanças nas orbitas dos planetas, inclusive na terra, com a consequente destruição da humanidade. Para os adeptos de Nibiru, diversos fenômenos naturais que ocorrem na Terra já são consequência dessa aproximação.
Segundo os astrofísicos, a fantástica história de Sitchin não se sustenta por diversos motivos e não tem qualquer relação com as descobertas e hipóteses feitas à luz da ciência. No entender dos historiadores (que não são astrofísicos), existem tantas incorreções nas traduções feitas por Sitchin que seus textos nem são usados no apoio às pesquisas modernas.

Crendice
Quando Mike Brown anunciou a possibilidade de um planeta enorme, escuro e de órbita extremamente alongada, exatamente como o proposto por Sitchin, não faltaram risadas e sarcasmos, já que "todos" já sabiam sobre Nibiru, mas sua existência estaria sendo negada pelas autoridades para não criar pânico na população. No entanto, a presença do objeto havia ficado tão evidente que não era mais possível nega-la.
A história de Sitchin encontra eco nas mentes mais avessas ao conhecimento e ao método científico, que esquecem que qualquer história pode ser inventada e coincidentemente pode acontecer. Se amanhã os cientistas descobrirem vida em outros planetas, as risadas vão se repetir, pois essa possibilidade já foi arduamente explorada em filmes e livros de ficção.
Ninguém perguntou se a orbitas do hipotético Planeta Nove e Nibiru são as mesmas, se os períodos orbitais são os mesmos ou se as massas são as mesmas. Ninguém perguntou se a velocidade de deslocamento de Nibiru é possível ou se a própria existência dele é verossímil. Nada disso importa, apenas o desejo de sua existência.
A crendice na existência de Nibiru está ligada não só ao baixo nível no ensino das ciências nas escolas, mas principalmente ao desejo que a maioria das pessoas tem em acreditar em algo superior, extraterrestre, religioso, que possa dar uma lição aos homens, que não cuidam bem do planeta.

O desconhecimento científico e a preferência pelo fácil sobrenatural geram grandes distorções no pensamento de toda uma população. É mais fácil acreditar em uma fábula, desdenhar e rir das conquistas da ciência a entender que somente o conhecimento e estudo podem tirar o indivíduo da escuridão.

OMS diz que zika se difunde de "maneira explosiva"

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, disse nesta quinta-feira (28) que o zika vírus está se difundindo de "maneira explosiva". No Brasil, suspeita-se que o vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, tenha relação com o surto de casos de microcefalia fetal (má formação cerebral em fetos).



"O nível de alarme para a difusão e infeção do zika vírus é extremamente alto", disse Chan, durante um encontro informativo com os países-membros da OMS. "Estou preocupada. Há 23 países com casos confirmados de zika", comentou a diretora, ressaltando que as contaminações estão se difundindo rapidamente, que não existe vacina e que as pessoas não apresentam "nenhuma imunidade" ao vírus.
Foto: Getty Images
"No momento, a relação entre o vírus e outras doenças, como a microcefalia fetal, ainda não foi estabelecida, mas há fortes suspeitas", pontuou Chan. O comitê da OMS se reunirá no dia 1 de fevereiro, em Genebra, para analisar a difusão do zika vírus e para decidir se a situação deve ser considerada uma emergência sanitária internacional.
Até o momento, mais de 20 países e territórios na América já confirmaram casos do vírus: Barbados, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Guadalupe, Guatemala, Guiana Francesa, Haiti, Honduras, Ilhas Virgens, Martinica, México, Panamá, Porto Rico, Paraguai, República Dominicana, St. Maarten, Suriname e Venezuela.
Nesta semana, a OMS já tinha emitido um alerta de que o vírus deve se espalhar pelo continente americano. A previsão é de que sejam registrados de três a quatro milhões de casos na região. Apenas Chile e Canadá, onde as temperaturas são mais baixas e não favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, devem contabilizar menos infecções. Outros países da Europa, como Itália, também já relataram casos de contaminação.
"No Brasil, realmente está acontecendo alguma coisa, e a única explicação está ligada ao zika", comentou Marcos Espinal, repsonsável por doenças infeccionas na América da OMS. Desde dezembro do ano passado, o Brasil já registrou aproximadamente 3,8 mil casos de zika. No final do ano passado, o Ministério da Saúde estabeleceu a relação entre o aumento da microcefalia no nordeste do país e a infecção por zika. Até agora, as autoridades de saúde brasileiras, com apoio da OMS, estão investigando qual o efeito que o zika poderia ter sobre os fetos.De acordo com a análise preliminar, o risco de aparição de microcefalia e malformações estaria associado com a infecção no primeiro trimestre da gravidez. As grávidas têm o mesmo risco que o resto da população de serem infectadas com o vírus zika, que é transmitido pela picada de um mosquito Aedes contaminado. Muitas delas podem não saber que têm o vírus, por não terem apresentado sintomas. Apenas uma em cada quatro pessoas apresenta sintomas de infecção por zika e, entre as que são afetadas, a doença é geralmente leve.
Os sintomas mais comuns são febre e exantema (erupção cutânea ou urticária), muitas vezes acompanhados por conjuntivite, dores musculares ou nas articulações, com um mal-estar que começa entre dois e sete dias após a picada de um mosquito infectado.
Não há vacina ou tratamento específico para a infecção por zika. Por isso, o tratamento consiste em aliviar os sintomas, inclusive para as grávidas, que devem seguir as recomendações médicas. O vírus da zika é transmitido por picadas do mosquito Aedes aegypt. Ele foi isolado pela primeira vez em 1947, em Uganda, em um macaco na floresta de Zika, mas somente em 1952 foi descrito como um vírus da mesma família dos causadores da febre amarela e da dengue.
Ansa

Naufrágio na Grécia mata mais 20 migrantes

Barco de de refugiados afunda e deixa ao menos 24 mortos, incluindo dez crianças. Sobrevivente relata que embarcação transportava entre 40 e 45 pessoas.

Corpos de 24 migrantes, incluindo dez crianças, foram resgatados nesta quinta-feira (28/01) próximos à costa da ilha de Samos, na Grécia, após o naufrágio da embarcação. Dez salvas com ferimentos, e outras 11 continuam desaparecidas.
O alerta sobre o naufrágio foi dado por um dos sobreviventes, que conseguiu nadar até a costa. Segundo ele, o barco naufragado transportava entre 40 e 45 pessoas. Não há ainda informações sobre a nacionalidade das vítimas.
Navios gregos e duas outras embarcações da Frontex – a missão europeia de patrulhamento de fronteiras – vasculharam a área em busca dos desaparecidos.
Apesar das más condições do tempo, milhares de pessoas que fogem do Oriente Médio e do norte da África continuam a realizar a perigosa viagem até a Europa. Na semana passada, 44 pessoas morreram em um único dia após três barcos naufragarem em águas gregas.
Na quarta-feira, as equipes de resgate encontraram corpos de sete pessoas, incluindo duas crianças, após outro naufrágio próximo à ilha de Kos.
O governo grego está sob forte pressão dos demais países europeus para que realize progressos na tentativa de deter o fluxo migratório. Atenas, por sua vez, acusa a Comissão Europeia de "negligenciar gravemente" seu dever de proteger o bloco, ao acenar com a possibilidade de impor controles mais rígidos na fronteira com a Grécia nos próximos dois anos.
RC/afp/rtr
Deutsche WelleDeutsche Welle

Cidade no interior de MG tem todos os vereadores presos por corrupção

  • Câmara Municipal de Centralina está em recesso
    Câmara Municipal de Centralina está em recesso
A pequena cidade de Centralina (MG), com seus 10 mil habitantes e localizada a 669 quilômetros de Belo Horizonte, vive um situação inusitada: todos os seus nove vereadores foram presos preventivamente suspeitos de corrupção.
Eles são investigados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Uberlândia acusados de desvio de dinheiro público.
Segundo a investigação, todos os nove vereadores eleitos para legislatura que termina este ano fraudaram notas fiscais para justificar recebimento de diárias de viagens que nunca foram feitas.
Quatro deles foram presos na semana passada, na primeira etapa da investigação que recebeu o nome de "Viagem Fantasma" e renunciaram aos cargos.
Os quatro, entre eles o presidente da Câmara Municipal, Eurípides Batista Ferreira, o Baianinho (Pros), o primeiro secretário, Hélio Matias (PSL), Carla Rúbia (Solidariedade) e Roneslei do Carmo Soares (PR), foram ouvidos e soltos um dia após a prisão. Agora cumprem prisão domiciliar.

Os outros cinco: o vice-presidente da Casa, Ismael Pereira Peres (PT), o 2º secretário Rodrigo Lucas (Solidariedade), Wandriene Ferreira de Moura (PR), Sônia Martins de Medeiros Rosa (PP) e Cleison Vieira (PDT), foram detidos na manhã desta quinta-feira (28) durante a segunda etapa da operação.
Os cinco serão encaminhados para o presídio Professor Jacy de Assis em Uberlândia (537 quilômetros de Belo Horizonte). Além dos vereadores, um ex-servidor da Câmara Municipal e um ex-vereador, que hoje atua como advogado, também foram presos na operação. Outros 12 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Segundo o Ministério Público, os suspeitos cometeram associação criminosa, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Câmara está em recesso

Com a prisão dos cinco vereadores e a renúncia dos quatro primeiros presos, a Câmara Municipal de Centralina fica sem representantes.
O UOL tentou entrar em contato com a comunicação da Casa, mas foi informada que a Câmara está em recesso, que retorna aos trabalhos apenas na próxima semana e que os suplentes devem assumir os cargos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Brasil deve se preparar para zika endêmica, dizem cientistas

Foto: APImage copyrightAP
Image captionAgentes de saúde aplicam inseticidas contra o mosquito transmissor do zika no Sambódromo, no Rio de Janeiro
O Brasil deve se preparar para que o zika vírus se torne uma doença endêmica tanto em território nacional como em outros países de América Latina, em um cenário semelhante ao que ocorre com a dengue - que desde os anos 1990 teve o número de casos multiplicados na região.
O aviso vem de cientistas ouvidos pela BBC Brasil para analisar os possíveis desdobramentos no surto que já atingiu mais de 20 Estados brasileiros e pelo menos duas dezenas de países no continente. Entre eles o entomologista e médico Andrew Haddow, neto de Alexander Haddow, um dos três cientistas que em 1947 isolaram pela primeira vez o zika.
A projeção é de um cenário preocupante diante da possível relação do zika com os 4 quatro mil casos sendo investigados de possível microcefalia no Brasil.
Para os especialistas, o país apresenta condições ideais para uma proliferação ainda maior do vírus do que a registrada até agora.
O principal fator é a resistência do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da doença, e que voltou a infestar centros urbanos no Brasil depois de duas vezes erradicado nas últimas décadas.
Leia também: Juiz defende direito a aborto em casos de microcefalia com risco comprovado de morte
Siga a BBC Brasil no Facebook e no Twitter
Dados do Ministério da Saúde mostram o avanço dengue no país. Foram 40 mil casos registrados em 1990. No ano 2000, o total saltou a mais de 135 mil casos, e superou 1 milhão em 2010. Em 2015, foram mais de 1,5 milhão de casos.
A segunda questão é o fato de que a população brasileira não tem o organismo "preparado" para um vírus que, até o atual surto, não tinha sido registrado fora de países de África, Ásia e Oceania.

'População inocente'

"A velocidade transmissão do zika no Brasil não é surpresa porque o vírus tem oAedes aegypti como o principal vetor de transmissão, e o país tem o que se pode chamar de 'população inocente', que não não foi anteriormente exposta. Parece-me bastante improvável que o Brasil e outros país da América Latina afetados livrem-se do zika, que tende a se tornar endêmico na região", afirmou Haddow, em entrevista por telefone, à BBC Brasil.
Uma endemia se refere a uma doença típica e frequente em uma determinada região, por vezes em algumas épocas do ano.

Casos de Dengue no Brasil

Crônica de uma endemia

1,64 milhão
de casos em 2015
40 mil
casos em 1990
  • 843 mortes em 2015
AFP
Haddow, que trabalha como pesquisador da Divisão de Virologia do Departamento de Defesa dos EUA, classificou o surtro brasileiro como um "grande alerta" para necessidade de mais estudos sobre o zika, em especial por causa da possível correlação do vírus com a má-formação em bebês.
Em 2012, o cientista fez uma apresentação em uma conferência virologistas nos EUA em que argumentou que o vírus estaria prestes a se espalhar.
"Estava claro que havia a possibilidade de uma distribuição geográfica ainda maior do que apenas a África e a Ásia, mas acredito que muitos casos de zika, inclusive no Brasil, tenham sido diagnosticados erroneamente como dengue por causa dos sintomas semelhantes entre as duas doenças. Os casos de microcefalia no Brasil, ainda que não tenham sido definitivamente provados como consequência do zika, mudarão esse cenário", completou o americano.

'Endêmica e epidêmica'

A epidemologista Jane Messina, da Universidade de Oxford, coautora de um estudo de 2013 sobre o risco de contração de dengue no Brasil durante os meses da Copa do Mundo, também projeta um quadro de expansão do zika em território brasileiro. "Não vejo razão que para que o surto seja diferente do que aconteceu com a dengue no Brasil, ainda que conheçamos pouco sobre o vírus e seja um pouco cedo para se especular".
Leia também: A misteriosa estrutura espacial gigante invisível que intriga astrônomos
Foto: GettyImage copyrightGetty
Image captionSoldado do Exército inspeciona caixa d'água no Recife. Ação das autoridades foi elogiada por especialista americano
Messina também adota essa cautela para discutir as possíveis implicações para mulheres brasileiras e latino-americanas grávidas ou que pensem em engravidar. "Não há solução simples. Além da diminuição da população de mosquitos, tudo o que se pode fazer é seguir as orientações das autoridades nacionais e internacionais de saúde. E avaliar os riscos", completou a epidemiologista.
O diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, Alexander Precioso, também prevê um cenário de zika endêmico.
"O vírus é muito recente. A maior parte da população não está imune, ou seja, é suscetível ao zika. Vivemos hoje com o mosquito disseminado por todo o país e, mais, pelas Américas. O número de casos vai aumentar progressivamente. Há uma situação ideal para a doença ser endêmica e epidêmica", alerta.

Desconhecimento

O que piora a situação é o desconhecimento dos cientistas a respeito do vírus. Não se sabe, por exemplo, se uma pessoa que contraia o zika ficará imune. Também não se pode prever se o virus sofrerá mutações.
"Evolução vale para todos os organismos", alerta Precioso. "Basta ver o influenza (vírus da gripe), que demanda uma vacina diferente todo ano".
O pesquisador do Butantan lembra que nem sequer é possível estabelecer com certeza uma relação direta entre o zika e os casos de microcefalia.
"A hipótese é forte, mas ainda não há uma comprovação (científica). Assim como ainda não se sabe se há tranmissão por contato sexual", diz.
O americano Haddow elogiou os esforços do Brasil em intensificar as campanhas de combate ao Aedes aegypti, incluindo a mobilização de milhares de homens das Forças Armadas.

Olimpíada

"Na minha opinião, as autoridades brasileiras até reagiram rápido, pois o zika nas últimas décadas tinha sido ignorado pelas principais autoridades. O que se pode fazer agora é tentar reduzir as chances de contágio".
O americano, no entanto, não acredita que a Olimpíada deva ser simplesmente classificada como "de risco".
"As pessoas viajam para outros lugares do mundo onde há doenças graves transmitidas por mosquitos, como a malária. Há vírus em outros lugares do mundo que não o Brasil. O surto de zika serve para mostrar como a globalização e as mudanças climáticas estão criando condições para a propagação de doenças ao redor do mundo", finalizou Haddow.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

“Casais” de 3 ou mais parceiros obtêm união com papel passado no Brasil

"Casais" de 3 obtêm união com papel passado no Brasil
Os casos de “trisais”, uniões estáveis de 3 pessoas, estão se multiplicando no Brasil. Ano passado, foi oficializado o relacionamento de três mulheres.
Agora, o jornal Folha de São Paulo revela que são pelo menos oito escrituras de mais de duas pessoas na mesma “união estável” oficializadas no país. Na prática, isso significa que a poligamia (ou poliamor, como prefere a mídia) atingiu o mesmo status do casamento.
O jornal dá destaque para o que chama de “família de 3”: Audhrey Drummond, 49, e Eustáquio Generoso, 57, e Rita Carvalho, 45. Os dois primeiros se casaram em 1988 e ficaram juntos até 1997. Do relacionamento nasceu um filho: Iago, 23 anos.
Desde 2007, o homem e as duas mulheres moram juntos em Belo Horizonte em dois apartamentos conjugados, onde também reside Iago. Eles dizem não se importar com a opinião dos outros. “Se a gente está bem, numa felicidade tão grande, o pessoal fica bem também”, afirma Eustáquio.
Eustáquio vive maritalmente com as duas mulheres, mas as duas não se relacionam sexualmente. Ele fica uma semana com cada uma no seu quarto e vão alternando.  Em 2016 estão oficializando a família e pretendem pleitear a inclusão das duas mulheres como dependentes do plano de saúde de Eustáquio.
A tabeliã Cláudia Domingues, entrevistada pelo jornal, conta que emitiu pelo menos oito escrituras de união estável poliafetiva. O maior grupo, conta a tabeliã, envolveu cinco pessoas (três homens e duas mulheres), de Santa Catarina.
Essa questão foi tratada pela ativista da família Marisa Lobo no Facebook. Evangélica, ela teve seu registro de psicóloga cassado por demonstrar sua fé nas redes sociais e defender que um homossexual pode ser curado.

Questão legal

“Você não pode se casar com mais de uma pessoa, mas não há proibição de que você viva com quantas quiser”, explica Domingues, que estuda o tema em seu doutorado, na USP.
A tabeliã carioca Fernanda de Freitas Leitão, que emitiu a certidão das três mulheres no ano passado, justifica: “Ainda não há decisão que garanta direitos automaticamente a famílias poliafetivas que possuam o documento. Mas serve de base para que as pessoas pleiteiem esse direito na Justiça.”
O registo oficial daria direito a inclusão em planos de saúde, em planos de previdência e herança, por exemplo.
O início da validação dessas uniões tem respaldo na decisão de 2011 do Supremo Tribunal Federal que equipara a união homoafetiva ao casamento heterossexual.
Essa é a opinião de Fernanda Leitão, que já foi procuradora estadual do Rio de Janeiro. Para ela, o tribunal reconhece “outras formas de convivência familiar fundadas no afeto”.
O presidente da Associação Brasileira de Direito da Família, Rodrigo da Cunha Pereira, afirma que “a fonte do direito não é a lei, mas os costumes”. Para ele “A família não é um fenômeno da natureza, mas da cultura”.

Comandante da PM pede plano de assistência psiquiátrica para os policiais

O novo comandante da PM, coronel Edison Duarte dos Santos Júnior, parece que anda meio encucado com a tropa. 

Ele pediu ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, um “imediato e permanente” plano de assistência psiquiátrica aos policiais.

http://sospoliciaismilitares.blogspot.com.br/

Famílias da tragédia em Mariana receberão casas, diz Vale

Lama que invadiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, após o rompimento de barragens
Lama que invadiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, após o rompimento de barragens da Samarco

O diretor-presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou hoje (25) que a mineradoraSamarco vai reconstruir as casas das famílias atingidas pela tragédia em Mariana, Minas Gerais, até o fim deste ano.
Segundo Ferreira, a determinação foi dada pelos conselheiros da empresa a seus gestores. Ele disse que tem acompanhado a implementação das medidas de apoio às pessoas afetadas pelo acidente e garantiu que a mineradora cumprirá as ações de remediação dos danos.
No dia 5 de novembro do ano passado, uma barragem de rejeitos da Samarco rompeu-se e derramou 32 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos de mineração no Rio Doce. O episódio causou a morte de 17 pessoas e deixou dois desaparecidos no distrito de Bento Rodrigues , destruiu e prejudicou o abastecimento de água em diversos municípios e continua causando impactos ambientais graves no rio e no oceano.
O presidente da Vale, empresa controladora da Samarco, disse que o conselho da mineradora determinou que, até o fim deste ano, todas as casas sejam reconstruídas. De acordo com Ferreira, as famílias concordarão com o local em que vão ser realocadas e todas as residências deverão ser entregues com o mobiliário colocado.
Ele explicou que, devido ao estado de destruição, as famílias não vão poder optar pela construção das casas no distrito de Bento Rodrigues. O assunto será discutido em fevereiro, quando se buscará a "localização exata de todas essas residências".
Murilo Ferreira conversou com jornalistas após se reunir, nesta tarde, com a presidenta Dilma Rousseff e os representantes da União e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, que moveram ação na Justiça contra a Samarco e suas duas controladoras (Vale e BHP). A Advocacia-Geral da União (AGU) e os estados pedem um valor mínimo de R$ 20 bilhões para reparação dos estragos socioambientais e econômicos decorrentes da tragédia.
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, informou que as empresas e os entes públicos têm até o próximo dia 3 para apresentar uma proposta de acordo à Justiça.
Nesta quinta-feira (28), os representantes de Minas Gerais, do Espírito Santo e da União vão se reunir em Brasília com as empresas, que deverão apresentar sugestões de acordo. "As ações de recuperação, de curto, médio e longo prazo, são o foco central do acordo, mas sem prejuízo das exigências imediatas, como fornecimento de água e colocação pessoas em casas e não abrigos, por exemplo", disse Adams.
Adams informou que do R$ 1 bilhão inicial prometido por meio do Termo de Ajustamento de Conduta, R$ 500 milhões já foram aportados pela empresa. Segundo o presidente da Vale, desde o Natal, todas as famílias afetadas pela tragédia já se encontram em casas alugadas pela Samarco, com exceção das que optaram por ficar na casa de parentes.
"Quanto aos cartões de assistência financeira, ainda existem [casos] pendentes. Nas localidades mais atingidas perto de Mariana, já foi completada a distribuição dos cartões", disse Ferreira. Ele prometeu que as seis pontes que foram destruídas até o município de Barra Larga estarão reconstruídas até o fim deste mês.
"Eu apenas estou dizendo. Não sou presidente da Samarco, mas fui informado dessas medidas todas. Eu tive oportunidade de visitar e de acompanhar a implementação dessas medidas, mas tenho certeza de que a empresa fará a remediação", garantiu Ferreira.

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/